Pré-natal

Exames do pré-natal por trimestre: lista completa e quando fazer

Por Dra. Raquel Vieira · CRM-SP 154.172 · 18 jun 2026

Os exames do pré-natal não são solicitados todos de uma vez. Cada trimestre tem um conjunto específico — algumas avaliações precisam acontecer em janelas precisas para ter validade clínica. Entender o que é pedido e quando ajuda a não perder nenhum prazo importante.

Por que os exames do pré-natal são importantes

A maioria das complicações da gestação — anemia, diabetes gestacional, infecções urinárias, sífilis, incompatibilidade Rh — pode ser tratada ou controlada quando diagnosticada cedo. O acompanhamento laboratorial do pré-natal existe exatamente para isso: identificar condições que podem ser assintomáticas e agir antes que causem dano à mãe ou ao bebê.

Além dos exames de sangue e urina, os ultrassons têm momentos específicos para serem realizados. O morfológico do primeiro trimestre, por exemplo, só tem validade entre 11 e 14 semanas. Perder essa janela significa perder o rastreamento mais preciso de alterações cromossômicas.

Exames do primeiro trimestre

Até 13 semanas e 6 dias

Os exames do primeiro trimestre são solicitados na primeira consulta de pré-natal. O objetivo é estabelecer o perfil de saúde da gestante, identificar condições preexistentes e rastrear infecções que podem causar dano fetal grave se não tratadas precocemente.

ExameO que avalia
Hemograma completoAnemia, infecções, número de plaquetas
Tipagem sanguínea e fator RhIdentificar incompatibilidade Rh mãe-bebê
Glicemia de jejumRastreamento de diabetes gestacional inicial
TSH (hormônio da tireoide)Hipotireoidismo não diagnosticado — causa de complicações na gestação
Urina de rotina + uroculturaInfecção urinária, que pode ser assintomática na gravidez
VDRLRastreamento de sífilis
Anti-HIVDiagnóstico precoce para tratamento e prevenção de transmissão vertical
HBsAg (hepatite B)Diagnóstico e vacinação do recém-nascido se necessário
Anti-HCV (hepatite C)Diagnóstico e acompanhamento especializado
Toxoplasmose IgG e IgMImunidade prévia ou infecção ativa
Rubéola IgG e IgMImunidade prévia (vacina é contraindicada na gestação)
PapanicolauSe não realizado nos últimos 12 meses
Ultrassom morfológico do 1º trimestreEntre 11-14 semanas: translucência nucal, anatomia precoce, rastreamento de síndrome de Down
Rastreamento combinado 1º trimestrePAPP-A + fração livre de beta-hCG: aumenta detecção de trissomias para 90-95%

Exames do segundo trimestre

14 a 27 semanas

O segundo trimestre é o período do morfológico anatômico — o exame de imagem mais completo da gestação. Nos exames laboratoriais, a atenção se volta para o rastreamento de diabetes gestacional, que tipicamente se manifesta nessa fase, e para a repetição de exames que podem sofrer alteração ao longo da gestação.

ExameO que avalia
HemogramaMonitoramento de anemia, que é comum no 2º trimestre
Glicemia e TOTG 75g (24-28 semanas)Diagnóstico de diabetes gestacional — janela ideal de realização
Urina de rotina + uroculturaInfecções urinárias se mantêm comuns na gestação
VDRLRepetido para identificar sífilis adquirida após o início do pré-natal
Toxoplasmose IgG e IgMRepetido se IgG negativo no 1º trimestre — risco de infecção primária ainda presente
Ultrassom morfológico do 2º trimestreEntre 18-24 semanas: anatomia fetal completa, coração, rins, cérebro, membros, placenta, colo uterino
Dopplerfluxometria das artérias uterinasRastreamento de risco de pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal

Exames do terceiro trimestre

28 semanas até o parto

No terceiro trimestre, os exames se concentram na preparação para o parto. Além da reavaliação de condições monitoradas ao longo da gestação, dois exames são específicos dessa fase: o swab para Streptococcus do grupo B (que orienta o uso de antibiótico no trabalho de parto) e os ultrassons de vitalidade fetal.

ExameO que avalia
HemogramaAnemia próxima ao parto, avaliação de plaquetas
Urina de rotina + uroculturaInfecção urinária — risco aumentado no 3º trimestre
TOTG 75gSe não realizado no 2º trimestre
VDRLRepetido — sífilis congênita é prevenível com diagnóstico e tratamento antes do parto
Anti-HIVRepetido — diagnóstico tardio ainda permite intervenções que reduzem transmissão vertical
HBsAg (hepatite B)Repetido em algumas maternidades para confirmar status antes do parto
Streptococcus agalactiae (Strep B)Swab vaginal entre 35-37 semanas — colonização indica antibiótico no trabalho de parto
Ultrassom obstétrico do 3º trimestre30-34 semanas: crescimento fetal, posição, volume de líquido amniótico, localização da placenta
Cardiotocografia (CTG)Avaliação da vitalidade fetal próximo ao parto — quando indicada

Por que alguns exames são pedidos mais de uma vez

Infecções como sífilis e HIV podem ser adquiridas após o início do pré-natal. Uma gestante com VDRL negativo na primeira consulta pode se infectar no segundo trimestre. A repetição do exame existe para capturar esse cenário — e o tratamento precoce da sífilis, por exemplo, previne quase completamente a transmissão para o bebê.

A toxoplasmose segue a mesma lógica: se a gestante não tem anticorpos (IgG negativo), ela está suscetível à infecção durante toda a gravidez. O exame é repetido a cada trimestre para detectar uma infecção primária, que tem risco de transmissão ao bebê.

O hemograma e a urina são repetidos porque anemia e infecção urinária são condições que podem surgir ou piorar em qualquer fase da gestação e que exigem tratamento imediato.

Pré-natal particular: o que muda no protocolo de exames

O protocolo mínimo do Ministério da Saúde foi desenhado para o pré-natal no SUS, com foco em condições de alto impacto e custo acessível. No pré-natal particular, o protocolo é complementado conforme o perfil de risco e a história clínica da gestante.

Isso inclui o rastreamento combinado do primeiro trimestre (que adiciona PAPP-A e beta-hCG livre ao morfológico para elevar a taxa de detecção de síndrome de Down de 70% para 90-95%), o NIPT (teste de DNA fetal no sangue materno) quando indicado, a dopplerfluxometria das artérias uterinas para rastreamento de pré-eclâmpsia e um calendário de ultrassons mais frequente em gestações de maior risco.

Dúvidas sobre os exames do pré-natal?

A Dra. Raquel Vieira acompanha gestantes em Vila Olímpia com ultrassonografia integrada à consulta e protocolo de exames individualizado desde a primeira semana.

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Perguntas frequentes

Dra. Raquel Vieira, ginecologista e obstetra

Dra. Raquel Vieira

Ginecologista e Obstetra · CRM-SP 154.172 · Medicina Fetal

Realiza o acompanhamento pré-natal completo em Vila Olímpia, São Paulo, com ultrassonografia integrada à consulta e morfológico do 1º e 2º trimestre pessoalmente.

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