Os exames do pré-natal não são solicitados todos de uma vez. Cada trimestre tem um conjunto específico — algumas avaliações precisam acontecer em janelas precisas para ter validade clínica. Entender o que é pedido e quando ajuda a não perder nenhum prazo importante.
Por que os exames do pré-natal são importantes
A maioria das complicações da gestação — anemia, diabetes gestacional, infecções urinárias, sífilis, incompatibilidade Rh — pode ser tratada ou controlada quando diagnosticada cedo. O acompanhamento laboratorial do pré-natal existe exatamente para isso: identificar condições que podem ser assintomáticas e agir antes que causem dano à mãe ou ao bebê.
Além dos exames de sangue e urina, os ultrassons têm momentos específicos para serem realizados. O morfológico do primeiro trimestre, por exemplo, só tem validade entre 11 e 14 semanas. Perder essa janela significa perder o rastreamento mais preciso de alterações cromossômicas.
Exames do primeiro trimestre
Até 13 semanas e 6 dias
Os exames do primeiro trimestre são solicitados na primeira consulta de pré-natal. O objetivo é estabelecer o perfil de saúde da gestante, identificar condições preexistentes e rastrear infecções que podem causar dano fetal grave se não tratadas precocemente.
| Exame | O que avalia |
|---|---|
| Hemograma completo | Anemia, infecções, número de plaquetas |
| Tipagem sanguínea e fator Rh | Identificar incompatibilidade Rh mãe-bebê |
| Glicemia de jejum | Rastreamento de diabetes gestacional inicial |
| TSH (hormônio da tireoide) | Hipotireoidismo não diagnosticado — causa de complicações na gestação |
| Urina de rotina + urocultura | Infecção urinária, que pode ser assintomática na gravidez |
| VDRL | Rastreamento de sífilis |
| Anti-HIV | Diagnóstico precoce para tratamento e prevenção de transmissão vertical |
| HBsAg (hepatite B) | Diagnóstico e vacinação do recém-nascido se necessário |
| Anti-HCV (hepatite C) | Diagnóstico e acompanhamento especializado |
| Toxoplasmose IgG e IgM | Imunidade prévia ou infecção ativa |
| Rubéola IgG e IgM | Imunidade prévia (vacina é contraindicada na gestação) |
| Papanicolau | Se não realizado nos últimos 12 meses |
| Ultrassom morfológico do 1º trimestre | Entre 11-14 semanas: translucência nucal, anatomia precoce, rastreamento de síndrome de Down |
| Rastreamento combinado 1º trimestre | PAPP-A + fração livre de beta-hCG: aumenta detecção de trissomias para 90-95% |
Exames do segundo trimestre
14 a 27 semanas
O segundo trimestre é o período do morfológico anatômico — o exame de imagem mais completo da gestação. Nos exames laboratoriais, a atenção se volta para o rastreamento de diabetes gestacional, que tipicamente se manifesta nessa fase, e para a repetição de exames que podem sofrer alteração ao longo da gestação.
| Exame | O que avalia |
|---|---|
| Hemograma | Monitoramento de anemia, que é comum no 2º trimestre |
| Glicemia e TOTG 75g (24-28 semanas) | Diagnóstico de diabetes gestacional — janela ideal de realização |
| Urina de rotina + urocultura | Infecções urinárias se mantêm comuns na gestação |
| VDRL | Repetido para identificar sífilis adquirida após o início do pré-natal |
| Toxoplasmose IgG e IgM | Repetido se IgG negativo no 1º trimestre — risco de infecção primária ainda presente |
| Ultrassom morfológico do 2º trimestre | Entre 18-24 semanas: anatomia fetal completa, coração, rins, cérebro, membros, placenta, colo uterino |
| Dopplerfluxometria das artérias uterinas | Rastreamento de risco de pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal |
Exames do terceiro trimestre
28 semanas até o parto
No terceiro trimestre, os exames se concentram na preparação para o parto. Além da reavaliação de condições monitoradas ao longo da gestação, dois exames são específicos dessa fase: o swab para Streptococcus do grupo B (que orienta o uso de antibiótico no trabalho de parto) e os ultrassons de vitalidade fetal.
| Exame | O que avalia |
|---|---|
| Hemograma | Anemia próxima ao parto, avaliação de plaquetas |
| Urina de rotina + urocultura | Infecção urinária — risco aumentado no 3º trimestre |
| TOTG 75g | Se não realizado no 2º trimestre |
| VDRL | Repetido — sífilis congênita é prevenível com diagnóstico e tratamento antes do parto |
| Anti-HIV | Repetido — diagnóstico tardio ainda permite intervenções que reduzem transmissão vertical |
| HBsAg (hepatite B) | Repetido em algumas maternidades para confirmar status antes do parto |
| Streptococcus agalactiae (Strep B) | Swab vaginal entre 35-37 semanas — colonização indica antibiótico no trabalho de parto |
| Ultrassom obstétrico do 3º trimestre | 30-34 semanas: crescimento fetal, posição, volume de líquido amniótico, localização da placenta |
| Cardiotocografia (CTG) | Avaliação da vitalidade fetal próximo ao parto — quando indicada |
Por que alguns exames são pedidos mais de uma vez
Infecções como sífilis e HIV podem ser adquiridas após o início do pré-natal. Uma gestante com VDRL negativo na primeira consulta pode se infectar no segundo trimestre. A repetição do exame existe para capturar esse cenário — e o tratamento precoce da sífilis, por exemplo, previne quase completamente a transmissão para o bebê.
A toxoplasmose segue a mesma lógica: se a gestante não tem anticorpos (IgG negativo), ela está suscetível à infecção durante toda a gravidez. O exame é repetido a cada trimestre para detectar uma infecção primária, que tem risco de transmissão ao bebê.
O hemograma e a urina são repetidos porque anemia e infecção urinária são condições que podem surgir ou piorar em qualquer fase da gestação e que exigem tratamento imediato.
Pré-natal particular: o que muda no protocolo de exames
O protocolo mínimo do Ministério da Saúde foi desenhado para o pré-natal no SUS, com foco em condições de alto impacto e custo acessível. No pré-natal particular, o protocolo é complementado conforme o perfil de risco e a história clínica da gestante.
Isso inclui o rastreamento combinado do primeiro trimestre (que adiciona PAPP-A e beta-hCG livre ao morfológico para elevar a taxa de detecção de síndrome de Down de 70% para 90-95%), o NIPT (teste de DNA fetal no sangue materno) quando indicado, a dopplerfluxometria das artérias uterinas para rastreamento de pré-eclâmpsia e um calendário de ultrassons mais frequente em gestações de maior risco.
Dúvidas sobre os exames do pré-natal?
A Dra. Raquel Vieira acompanha gestantes em Vila Olímpia com ultrassonografia integrada à consulta e protocolo de exames individualizado desde a primeira semana.
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